Este resumo estratégico faz parte da série “Unlocking Africa’s Bioeconomy” (Desbloqueando a Bioeconomia da África) da NatureFinance, que explora como os países e regiões africanos podem ir além da extração de recursos e avançar para a agregação de valor, de modo a fortalecer a resiliência econômica, apoiar o crescimento positivo para a natureza e atrair investimentos.
A bioeconomia da África já existe, inserida na agricultura e no capital natural que sustentam os meios de subsistência e o comércio em todo o continente. A tarefa que temos pela frente não é construí-la do zero, mas definir como o valor é gerado ao longo das cadeias de valor que já a permeiam. A oportunidade é significativa. Estima-se que a bioeconomia global gere entre US$ 4 e 5 trilhões por ano, com projeção de atingir US$ 30 trilhões até 2050. A África está bem posicionada para captar uma parcela significativa desse crescimento, com 60% das terras aráveis não cultivadas restantes do mundo e mais de 65% de sua força de trabalho envolvida na agricultura.
Este resumo sintetiza as principais conclusões de um encontro de alto nível realizado em Nairóbi em maio de 2026, organizado pela NatureFinance e pelo Escritório Africano do Instituto do Meio Ambiente de Estocolmo, que reuniu partes interessadas das áreas de estratégia de bioeconomia, cadeias de valor agrícolas, finanças e investimentos, sistemas de pesquisa e inovação, além de atores de implementação — incluindo parceiros de execução e desenvolvimento e profissionais que atuam em toda a cadeia de valor. O documento estabelece ações prioritárias para orientar a concepção de programas e iniciativas, direcionar decisões de investimento e financiamento e moldar parcerias, apoiando uma transição de esforços fragmentados para abordagens integradas e orientadas pela cadeia de valor, capazes de serem ampliadas.
Onde está a oportunidade: os sinais estratégicos
Seis sinais, seis oportunidades de ação
- Criação de carteiras de projetos com potencial de investimento para alcançar escala. O fortalecimento e a agregação dessas carteiras podem possibilitar o alcance de escala, preenchendo a lacuna entre a ambição e a viabilidade financeira em todas as cadeias de valor agrícolas.
- Reposicionar a agricultura como porta de entrada para a indústria. A agricultura ainda é vista principalmente sob a ótica dos meios de subsistência, em vez de como uma plataforma para a criação de valor e a industrialização. Ao ser reposicionada como porta de entrada para cadeias de valor, para a indústria e para o comércio de maior valor agregado, ela pode se tornar uma plataforma para a industrialização, impulsionando a geração de empregos, o empreendedorismo e o comércio regional.
- Alinhando o financiamento à transformação da cadeia de valor agrícola. A concepção de mecanismos de financiamento centrados nas cadeias de valor, em vez de em compartimentos institucionais, pode abrir caminhos da agricultura para a indústria, inclusive por meio de modelos de financiamento misto que apoiem a produção, o processamento e a expansão de mercado.
- Colocar as PMEs e os pequenos produtores no centro. Eles são a base da produção e impulsionam a inovação em seus estágios iniciais. O investimento direcionado a esses atores é uma alavanca fundamental para fortalecer os alicerces da bioeconomia.
- Fortalecimento dos sistemas de transferência de conhecimento. Com uma sólida capacidade de pesquisa, sistemas de dados e ecossistemas de inovação já estabelecidos e em crescimento, laços mais fortes entre a pesquisa e a indústria podem transformar esse conhecimento em empreendimentos prontos para o mercado e em maior produtividade.
- Melhorar e fortalecer a coordenação para ampliar a escala. Um sistema mais coordenado gera maior impacto e atrai mais investimentos, ampliando as cadeias de valor e desenvolvendo indústrias de base biológica competitivas.
Por que isso é importante
A produção em todo o continente continua concentrada em produtos brutos ou minimamente processados, enquanto os estágios de maior valor — que geram a maior parte do valor econômico — ocorrem em outros lugares. A África gera valor biológico, mas retém apenas uma fração do valor econômico gerado.
Para liberar o potencial econômico da bioeconomia africana, é necessária uma transição coordenada, transformando a agricultura de um setor de produtividade em um motor industrial e econômico fundamental. Isso significa fortalecer as cadeias de valor que ligam a produção ao processamento, à manufatura e aos mercados, ao mesmo tempo em que se enfrentam as restrições sistêmicas nas áreas de finanças, políticas públicas, coordenação e sistemas de conhecimento.
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