Crescimento de uma bioeconomia sustentável por meio do comércio e da cooperação internacional 

18 de setembro de 2025

Baixar PDF

Este relatório define caminhos práticos para que o G20 desenvolva mecanismos inovadores de comércio e finanças que ampliem a bioeconomia global e, ao mesmo tempo, promovam uma transformação econômica equitativa e sustentável.

Visão geral

Alcançar as metas climáticas globais exige mais do que uma transição para a energia renovável. Exige também uma transformação econômica abrangente que aproveite a capacidade produtiva da natureza. O Fórum Mundial de Bioeconomia estima que o valor atual da bioeconomia seja de US$ 4 trilhões, e o Henderson Institute do Boston Consulting Group projeta um crescimento de US$ 30 trilhões até 2050, ou cerca de um terço do PIB global.[1][2] Nessa escala, a bioeconomia oferece um caminho fundamental para a transformação econômica sustentável em meio às crescentes pressões de extração de recursos e aos desafios climáticos.

O comércio é fundamental para liberar esse potencial. O comércio baseado na biodiversidade já representa 17% do comércio global total e 7% do PIB global, com participações ainda maiores em muitas economias emergentes - de 29% das exportações na Indonésia a 94% na Etiópia (Figura 1). [3]

Figura 1: Participação do comércio baseado na biodiversidade no comércio global em 2023

No entanto, na ausência de políticas e estruturas regulatórias eficazes, o comércio da bioeconomia corre o risco de exacerbar a perda de biodiversidade, a degradação do ecossistema e as mudanças climáticas. As estruturas comerciais atuais também costumam colocar em desvantagem as alternativas de base biológica em relação aos produtos convencionais, enquanto as disparidades tecnológicas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento criam barreiras estruturais à participação.

A pedido do Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação da África do Sul, e como parceiro de conhecimento da Presidência do G20 de 2025, a NatureFinance preparou este relatório como uma contribuição para a Iniciativa do G20 sobre Bioeconomia (GIB). Ele se baseia nas discussões realizadas na 2ª reunião da GIB em Mbombela, África do Sul (maio de 2025), onde o comércio foi identificado como um facilitador essencial do crescimento da bioeconomia.

Principais conclusões

A bioeconomia pode proporcionar até um terço das reduções de emissões globais necessárias para limitar o aquecimento a 1,5°C e, ao mesmo tempo, proporcionar benefícios de adaptação e resiliência por meio de soluções baseadas na natureza que fortalecem os serviços ecossistêmicos e os meios de subsistência da comunidade. [4]

Para ampliar essa oportunidade, são necessárias ações direcionadas em seis áreas prioritárias:

1. Integração de políticas: Vincular as estratégias de bioeconomia às políticas de economia circular e aos compromissos climáticos nacionais, estabelecendo distinções regulatórias claras entre produtos de base biológica e combustíveis fósseis.

2. Infraestrutura comercial: Desenvolver acordos comerciais preferenciais para produtos de base biológica e estabelecer instalações alfandegárias especializadas com sistemas de verificação digital.

3. Cooperação regional: Fortalecer os mecanismos de transferência de tecnologia e estabelecer mecanismos de financiamento conjunto para projetos transfronteiriços, incluindo iniciativas como o African Bioeconomy Finance Hub.

4. Harmonização e interoperabilidade de dados e padrões: Criar sistemas interoperáveis para medir, relatar e verificar as atividades da bioeconomia, usando mecanismos internacionais como o Codex Alimentarius e, ao mesmo tempo, desenvolver a capacidade nacional em Informações de Sequência Digital (DSI).

5. Realinhamento financeiro: Redirecionar os subsídios para bens e serviços de base biológica, reduzir gradualmente os subsídios aos combustíveis fósseis e priorizar os produtos da bioeconomia nas compras públicas para criar uma demanda estável.

6. Incentivos de mercado: Implantar incentivos financeiros, regulatórios, tributários e de cadeia de suprimentos com prazo determinado para acelerar a transformação do mercado e permitir que as novas tecnologias se adaptem ao mercado de produtos.

Olhando para o futuro

Este documento faz parte do esforço mais amplo do NatureFinance para alinhar as agendas de comércio, finanças e natureza no âmbito do G20 e além.

Nos próximos meses, a NatureFinance convocará uma série de webinars para envolver as partes interessadas e aprofundar o diálogo sobre bioeconomia e comércio. As descobertas também servirão de base para a próxima reunião da CARICOM em Santa Lúcia, em outubro de 2025, com foco na construção de uma agenda sustentável e inclusiva de comércio e bioeconomia para a região.

Esperamos levar essas percepções para a COP30 em Belém, onde se espera que as interseções entre comércio, clima e natureza ocupem um lugar de destaque na agenda global.

Para perguntas ou comentários, entre em contato com indekhwa.anangwe@naturefinance.net.





Este relatório é de autoria de Indekhwa Joy Anangwe, Julie McCarthy e Mark Halle, com contribuições de Fiona Napier, Isobel Cohen e Monique Atouguia. Assistência editorial de Roberta Zandonai e Lucy Martin, design e layout de Natan Aquino.

Os autores também gostariam de agradecer aos seguintes colegas e parceiros por suas valiosas percepções e contribuições: Dra. Chantal Line Carpentier, Francis X. Johnson, Glen Hamilton Wilson, Henrique Silva Pacini Costa, Lorena Jaramillo, Ricardo Meléndez Ortiz.

Este documento de entrada também se beneficiou das contribuições do Fórum sobre Comércio, Sustentabilidade e ODSs (TESS), com agradecimentos a Carolyn Deere Birkbeck e Christophe Bellmann.


[1] Fórum Econômico Mundial. (2024). Tecnologias emergentes: Why the global bioeconomy urgently needs technical standards and metrics. https://bit.ly/48nq7e3
[2] BCG Henderson Institute. (2022). Synthetic biology is about to disrupt your industry. https://bit.ly/469BQLZ
[3] UNCTAD. (n.d.). Centro de dados sobre comércio e desenvolvimento da ONU. https://bit.ly/4nabRtP
[4] Gomez, S. J., S, H., & I, A. (2022). Sustainable And Circular Bioeconomy In The Climate Agenda - Opportunities To Transform Agrifood Systems (Bioeconomia sustentável e circular na agenda climática - oportunidades para transformar os sistemas agroalimentares). Roma: FAO. https://doi.org/10.4060/cc2668en

Inscreva-se para receber o boletim informativo da Nature Finance

Boletim informativo - Popup

"*" indica campos obrigatórios

Esse campo é para fins de validação e deve ser deixado inalterado.
Nome*