- Uma iniciativa inédita cria mecanismos econômicos para reconhecer e recompensar os ativos ambientais dos serviços ecossistêmicos em Unidades de Conservação, garantindo renda estável para aqueles que protegem a floresta.
- Os nove estados da Amazônia Legal se unem em torno de uma política comum para valorizar os ativos ambientais da região, alinhada com a estrutura de Pagamento por Serviços Ecossistêmicos (PSE) do Brasil e a agenda de entrega da COP30.
- O projeto fortalece instrumentos financeiros sustentáveis e abre novas fontes de receita para a manutenção de áreas protegidas, impulsionando a transformação ecológica em territórios amazônicos.
Belém, 12 de novembro de 2025 — Na COP30, a NatureFinance e o Consórcio Amazônia Legal (CAL) anunciam o lançamento do Projeto Ativos Ambientais de Proteção Total na Amazônia Brasileira, liderado pelas Secretarias de Finanças dos nove estados da Amazônia Legal, com o apoio das Secretarias Estaduais do Meio Ambiente.
A iniciativa — a primeira desse tipo no Brasil — estabelece uma nova arquitetura pública para estruturar mecanismos econômicos que valorizam e remuneram os serviços ecossistêmicos prestados pelas Unidades de Conservação de Proteção Integral (áreas legalmente designadas no Brasil onde a preservação da natureza é o principal objetivo, e as atividades econômicas ou o uso de recursos são estritamente proibidos). Ao alinhar finanças com conservação, o projeto transforma a preservação em um ativo estratégico — ajudando a manter a megabiodiversidade da Amazônia e, ao mesmo tempo, aliviando a pressão sobre os orçamentos estaduais, liberando recursos para investimento em crescimento econômico, redução da desigualdade, infraestrutura e programas sociais.
De acordo com o Banco Mundial, a Amazônia brasileira gera cerca de US$ 317 bilhões por ano em serviços ecossistêmicos, biodiversidade e regulação climática. Manter esse motor natural funcionando requer entre US$ 1,7 e 2,8 bilhões anualmente para monitorar e gerenciar áreas protegidas, de acordo com o Instituto Socioambiental. Hoje, esses custos recaem em grande parte sobre os governos estaduais amazônicos, que arcam com o ônus financeiro da conservação, ao mesmo tempo em que são legalmente impedidos de gerar receita nessas áreas.
O projeto aborda esse desequilíbrio atribuindo um valor econômico à conservação — reconhecendo-a como um serviço público que beneficia a humanidade e deve gerar retornos justos e previsíveis para aqueles que protegem a biodiversidade. Ele fortalece a gestão e a eficácia das áreas protegidas e ajuda a manter a conectividade ecológica que, de outra forma, levaria décadas para ser restaurada em territórios ameaçados. Ao direcionar novos fluxos financeiros para áreas prioritárias, ele também apoia o desenvolvimento local sustentável e reforça as bases sociais e econômicas da Amazônia.
Como a COP30 exige resultados tangíveis, os nove estados estão se unindo em torno de uma política comum baseada na legislação brasileira de Pagamento por Serviços Ecossistêmicos (PSE) — construída com base em métricas de alta integridade, transparentes, mensuráveis e auditáveis.
Valorizando os recursos naturais da Amazônia
Ao alinhar as finanças com uma economia que funciona para a natureza, o clima e as pessoas, o projeto gera um impacto tangível na economia real — remunerando serviços ecossistêmicos verificados, como a recuperação de populações de espécies-chave, a conectividade de habitats e a melhoria da qualidade do solo e da água, ao mesmo tempo em que reduz os riscos sistêmicos associados à perda de biodiversidade.
Os créditos de biodiversidade serão baseados em indicadores objetivos, como o aumento das populações de espécies-chave, a conectividade ecológica e a qualidade do solo e da água. A metodologia do projeto está sendo desenvolvida por equipes técnicas, financeiras e jurídicas, com base em referências nacionais e internacionais reconhecidas.
Os pagamentos voluntários por esses serviços podem vir de beneficiários de diversos setores, incluindo energia, mineração, petróleo e gás, agricultura, bioeconomia e outras cadeias de valor que dependem diretamente do capital natural para resiliência e produtividade. Para os estados amazônicos, essas novas receitas serão direcionadas para esforços de conservação, aliviando a pressão fiscal e liberando fundos para saúde, infraestrutura e outros serviços públicos.
Da COP30 para o mundo
O lançamento do projeto na COP30 mostra que os compromissos podem ser transformados em resultados mensuráveis. De acordo com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), cada dólar investido na restauração e conservação florestal na Amazônia pode gerar até US$ 7 em benefícios econômicos diretos e indiretos — incluindo criação de empregos, ganhos de produtividade e estabilidade climática.
Ao integrar a bioeconomia às agendas climática e de biodiversidade, o projeto transforma as áreas de proteção integral da Amazônia em ativos econômicos mensuráveis — gerando capital natural valioso e receita recorrente para os estados.
Em um espírito de “mutirão”, esse esforço conjunto entre governos, setor privado e instituições multilaterais promove resiliência econômica, inovação financeira e crescimento inclusivo, reforçando o papel do Brasil e da Amazônia como laboratórios vivos para soluções escaláveis do Sul Global.
CITAÇÕES
“Florestas, rios e solos são infraestruturas econômicas tão essenciais quanto estradas ou energia. Quando esses ativos se degradam, todos pagam o preço. Este projeto redefine como financiamos o futuro — reconhecendo a natureza como um ativo estratégico e criando receitas recorrentes para aqueles que protegem os ecossistemas.” Luana Maia, líder global do Brasil, NatureFinance
“Este projeto marca um novo capítulo na cooperação entre os estados amazônicos: transformar a conservação em valor econômico real. Pela primeira vez, os governos da Amazônia estão se unindo para construir um mecanismo público que reconheça e recompense os serviços ecossistêmicos que sustentam a vida na Terra. É uma resposta concreta aos desafios fiscais e ambientais — e uma declaração de liderança regional: a Amazônia não é apenas um tema de debate global, é uma provedora de soluções. Ao criar instrumentos financeiros que valorizam a biodiversidade e fortalecem a gestão de áreas protegidas, damos um passo decisivo em direção a uma economia que reconhece a natureza como um ativo essencial, garantindo que o desenvolvimento e a conservação avancem juntos.” Marcello Brito, Diretor Executivo, Consórcio Amazônia Legal
“A Amazônia serve à humanidade, fornecendo serviços ecossistêmicos essenciais ao planeta; é justo que a proteção da biodiversidade gere renda estável para os estados amazônicos. Com orçamentos sob pressão, manter a gestão e o monitoramento nas Unidades de Conservação exige fontes de receita novas e previsíveis. Ao estruturar instrumentos financeiros baseados em resultados, como créditos de biodiversidade e pagamentos por serviços ambientais, preservamos os estoques de capital natural e a resiliência climática que sustentam a estabilidade econômica global. Receitas permanentes vinculadas à conservação aliviam as finanças públicas e liberam investimentos em educação e saúde, reconhecendo aqueles que vivem e trabalham pela floresta. É um ciclo virtuoso: uma floresta em pé garante previsibilidade para os negócios e dignidade e desenvolvimento para o povo amazônico.” Luis Fernando Pereira da Silva, Coordenador, Câmara de Gestão Fiscal e Tributária, Consórcio Amazônia Legal
“Os estados da Amazônia Legal compartilham um desafio comum: proteger a maior floresta tropical do mundo e, ao mesmo tempo, garantir estabilidade fiscal e oportunidades de desenvolvimento para nossa população. Este projeto reflete a convergência entre responsabilidade ambiental e equilíbrio fiscal. Ao reconhecer a conservação como um serviço essencial e estruturante, estamos criando uma nova base econômica — capaz de gerar receitas recorrentes, fortalecer a gestão das áreas protegidas e abrir espaço para novos investimentos em educação, saúde e infraestrutura.” Declaração conjunta dos secretários de Finanças do Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Maranhão, Mato Grosso e Tocantins
NOTAS AOS EDITORES
Evento oficial da COP30
O projeto será apresentado na Zona Azul da COP30, em Belém, com a participação de representantes dos nove estados da Amazônia Legal, da sociedade civil, de investidores e de especialistas internacionais.
12 de novembro | 13h45–15h | Hub Amazônia, Zona Azul
Detalhes: https://www.naturefinance.net/naturefinance-at-cop30/
Sobre o Consórcio Amazônico Legal (CAL) – O Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal reúne os nove estados amazônicos: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Maranhão, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Ele promove o desenvolvimento regional sustentável, fortalecendo a cooperação entre os governos estaduais e equilibrando o progresso econômico, a justiça social e a preservação ambiental.
Sobre a NatureFinance — A NatureFinance é um think tank internacional sem fins lucrativos e um laboratório de soluções que catalisa esforços globais para alinhar as finanças com os limites planetários. Das finanças soberanas à bioeconomia, a NatureFinance projeta, testa e dimensiona instrumentos financeiros e parcerias inovadores que colocam as finanças a serviço da natureza, do clima e das pessoas.
Contatos de mídia
NatureFinance: Amandine Ambregni, Diretora de Comunicação – nfcommunications@naturefinance.net
Consórcio da Amazônia Legal: Rafaelle Silva, Assessora de Imprensa do Consórcio da Amazônia Legal, comunicacao@consorcioamazonialegal.gov.br, WhatsApp: +55 (61) 99681-3235