Na COP30, o Brasil e parceiros globais revelam o Desafio da Bioeconomia para ampliar o investimento sustentável na natureza

10 de novembro de 2025

Belém (Pará – Brasil), 10 de novembro de 2025 – O Brasil, em colaboração com a sociedade civil e parceiros multilaterais, lança hoje na COP30 o Desafio da Bioeconomia — uma plataforma global com múltiplas partes interessadas, concebida para traduzir os princípios globais da bioeconomia em ações mensuráveis e soluções escaláveis até 2028.

Além de suas metas mensuráveis, a iniciativa incorpora uma visão compartilhada: construir mercados de bioeconomia que protejam a natureza, possibilitem a descarbonização e coloquem as pessoas e as comunidades no centro.

Parte da Agenda de Ação da COP30 (Objetivo 29 – Bioeconomia e Biotecnologia), esta iniciativa de três anos está alinhada com um marco histórico: pela primeira vez, a bioeconomia é formalmente reconhecida no processo da COP como um caminho estratégico para acelerar o progresso em direção às Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). A bioeconomia é a próxima fronteira do crescimento sustentável — aproveitar os recursos da natureza de forma responsável para impulsionar indústrias, criar meios de subsistência e restaurar ecossistemas.

Impulsionado pelo impulso iniciado sob a liderança do Brasil e da África do Sul no G20 e pela agenda da COP30 do Brasil, o Desafio representa uma evolução tangível da ambição para a ação, envolvendo várias partes interessadas e comunidades locais. Ele serve como uma prova escalável de como as plataformas de bioeconomia nacionais e regionais podem evoluir para um modelo de referência global para o desenvolvimento equitativo, mensurável e escalável.

Da África do Sul ao Brasil, uma estrutura escalável

O Desafio da Bioeconomia coloca em prática os Princípios de Alto Nível da Bioeconomia do G20 em cinco áreas prioritárias — florestas, agricultura regenerativa e restauração, sociobioeconomia, financiamento da inovação e bioindustrialização — com o apoio de quatro grupos de trabalho especializados liderados pela FAO (métricas e indicadores), Grupo BID (mecanismos de financiamento), UNCTAD (desenvolvimento de mercados e comércio) e WRI (sociobioeconomia e benefícios comunitários). Ele visa as lacunas críticas em métricas, finanças e desenvolvimento de mercado que atualmente limitam o investimento em escala. 

Com a NatureFinance como Secretariado Executivo e um Comitê Diretor que reúne governos, empresas e a sociedade civil, a iniciativa estabelece um modelo de governança compartilhada para gerar um impacto mensurável.

Até 2028, o Desafio da Bioeconomia proporcionará um conjunto de normas e ferramentas comuns em matéria de métricas, finanças e desenvolvimento do mercado, permitindo aos países integrar a natureza nas suas estratégias de crescimento econômico com consistência e responsabilidade.

Juntas, essas parcerias marcam uma nova fase de cooperação — centrada em resultados mensuráveis e padrões globais compartilhados para uma bioeconomia sustentável.

Bioeconomia: um motor global para o crescimento resiliente e inclusivo

A bioeconomia — que abrange todas as atividades econômicas baseadas no uso sustentável dos recursos biológicos — é fundamental para a descarbonização, a inovação e o crescimento inclusivo. Em um momento em que quase US$ 7 trilhões são investidos anualmente em atividades que prejudicam diretamente a natureza, tanto por fontes públicas quanto privadas, a bioeconomia oferece um caminho para redirecionar esses fluxos para cadeias de valor que regeneram ecossistemas, fortalecem comunidades e aumentam a resiliência.

Ao associar inovação tecnológica, valor econômico e gestão ambiental, a bioeconomia promove processos industriais e baseados na natureza — desde biotecnologias até sistemas de produção regenerativos — que respeitam os limites do planeta.

Para alcançar essa transformação, são necessárias métricas claras e comparáveis — uma das principais prioridades do Desafio da Bioeconomia — e instrumentos de financiamento escaláveis que gerem retornos, reduzam riscos e alcancem comunidades locais e tradicionais, incluindo povos indígenas, populações ribeirinhas e quilombolas.

Até 2028, a iniciativa irá conceber mecanismos financeiros inovadores e equitativos que garantam a sustentabilidade a longo prazo e a partilha justa dos benefícios, reafirmando a liderança do Brasil e do Sul Global na definição de soluções sistêmicas para as pessoas, a natureza e o planeta.

Agenda de Ação

O Desafio da Bioeconomia faz parte do Plano de Aceleração de Soluções da COP30, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil e pela Presidência da COP30, sob a Meta 29 – Bioeconomia e Biotecnologia. A Conferência Climática de Belém também estabeleceu um Dia da Bioeconomia (10-11 de novembro) e nomeou Marcelo Behar como o primeiro Enviado Climático para a Bioeconomia, ressaltando a liderança do Brasil na incorporação da bioeconomia na governança climática global.

Os quatro grupos de trabalho da iniciativa são liderados, respectivamente, por:

• Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) – Métricas e indicadores

• Grupo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Grupo BID) – Mecanismos de financiamento

• Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) – Desenvolvimento de mercados e comércio

• Instituto de Recursos Mundiais (WRI) – Sociobioeconomia e benefícios para a comunidade.

Sobre os Princípios de Alto Nível do G20 sobre Bioeconomia

Adotados sob a Presidência brasileira do G20 em 2024, os dez Princípios de Alto Nível sobre Bioeconomia constituem a primeira estrutura plurilateral que orienta o desenvolvimento global da bioeconomia. Eles estabelecem compromissos com a inclusão, a conservação da biodiversidade, o uso sustentável dos recursos, a repartição justa dos benefícios, a produção e o comércio sustentáveis e empregos decentes. Sob a Presidência da África do Sul (2025), a Iniciativa do G20 sobre Bioeconomia tem trabalhado para traduzir esses princípios em ação, avançando em métricas e explorando áreas-chave, como o comércio.







CITAÇÃO DE ORGANIZAÇÕES LÍDERES

O Desafio da Bioeconomia oferece um roteiro para uma economia que integra natureza, prosperidade e justiça socioambiental como dimensões inseparáveis. Por meio dessa iniciativa, estamos construindo pontes entre o conhecimento ancestral dos povos indígenas e das comunidades tradicionais e o rigor da ciência moderna; entre métricas que revelam o verdadeiro valor da natureza e o financiamento que chega àqueles que realmente protegem os territórios; e entre os mercados e a necessária manutenção das florestas em pé, dos rios vivos e da sociobiodiversidade que sustenta a vida.” Marina Silva, Ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Brasil

“A bioeconomia é uma agenda para o presente e para o futuro que desejamos. Para que ela se torne realmente uma estratégia transformadora, são necessários os elementos fundamentais que estamos abordando por meio do Desafio da Bioeconomia: métricas claras, financiamento inovador e desenvolvimento de mercado inclusivo, com a sociobioeconomia em seu cerne. Mas os governos sozinhos não podem construir esse futuro — devemos co-criá-lo com aqueles que estão comprometidos em transformar suas atividades econômicas para atender às demandas da ação climática. O Desafio da Bioeconomia reúne a sociedade civil, empresas, governos e comunidades para transformar essa visão em ação. Nossa esperança é que essa iniciativa amplie significativamente os investimentos e as ações concretas em economias baseadas na natureza, que são uma agenda prioritária para a COP30 e essenciais para a transição climática de que todos precisamos.” Carina Pimenta, Secretária Nacional de Bioeconomia do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Brasil

“Para liberar todo o potencial da bioeconomia, precisamos torná-la mensurável, passível de investimento e inclusiva. O Bioeconomy Challenge faz exatamente isso — traduzindo princípios globais compartilhados em ações financeiras e políticas que proporcionam benefícios em grande escala para comunidades, mercados e ecossistemas.” Julie McCarthy, CEO, NatureFinance 

“Para ajudar a bioeconomia global a crescer em escala, precisamos ancorá-la em indicadores específicos, transparentes e comparáveis, para que a sustentabilidade tenha o mesmo significado em todos os lugares. A FAO espera avançar nessa agenda com diversos atores por meio do Grupo de Trabalho de Métricas do Desafio da Bioeconomia, garantindo que a bioeconomia cumpra sua promessa de transformar a forma como vivemos, produzimos e compartilhamos recursos.” Kaveh Zahedi, Diretor, Escritório de Mudanças Climáticas, Biodiversidade e Meio Ambiente, FAO

“A bioeconomia sustentável oferece novas oportunidades para diversificar as exportações que impulsionam o comércio verde e de baixo carbono, protegem a natureza e geram meios de subsistência sustentáveis. Com base em quase três décadas de experiência em biocomércio e economia circular e na experiência dos membros do grupo de trabalho, a UNCTAD visa co-criar caminhos de desenvolvimento de mercado para bioeconomias resilientes ao clima e inclusivas”. Luz María de la Mora, Diretora, Divisão de Comércio Internacional e Commodities, Comércio e Desenvolvimento das Nações Unidas.

“O WRI Brasil tem a honra de liderar o Grupo de Trabalho de Sociobioeconomia do Desafio da Bioeconomia. A sociobioeconomia é um caminho viável para uma transição justa na América Latina, oferecendo um modelo que prioriza a conservação das florestas existentes, a rica biodiversidade da região e o bem-estar da população local, e que também tem repercussão em outras florestas tropicais em todo o mundo. Por meio do Desafio da Bioeconomia, nosso objetivo é conectar pessoas, natureza e clima para moldar um futuro sustentável e inclusivo”. Mirela Sandrini, Diretora Executiva, WRI Brasil

“O Grupo BID, por meio do seu Programa Amazônia para Sempre, tem o orgulho de se juntar ao Desafio da Bioeconomia e liderar seu grupo de trabalho sobre mecanismos financeiros. Essa iniciativa ajudará a ampliar as ambições nas florestas tropicais, especialmente na Amazônia, alavancando estratégias de bioeconomia que fortalecem a resiliência, promovem a descarbonização e melhoram os meios de subsistência das famílias e comunidades”. Morgan Doyle, gerente geral do Departamento Regional do Cone Sul (CSC), Banco Interamericano de Desenvolvimento







NOTAS AOS EDITORES

Visite www.bioeconomychallenge.org

Eventos do Desafio da Bioeconomia na COP30 

• 14 de novembro, das 18h30 às 19h30 – Lançamento do Grupo de Trabalho para o Desenvolvimento do Mercado do Desafio da Bioeconomia da Presidência da COP30, no Pavilhão da ISO, Zona Azul (liderado pela UNCTAD)

• 17 de novembro, das 12h às 13h30 – Lançamento oficial do Desafio da Bioeconomia na Sala SE Parnaíba (Teatro), Zona Azul (liderado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil e pela NatureFinance)

• 18 de novembro, das 17h às 18h – Lançamento do Grupo de Trabalho sobre Métricas do Desafio da Bioeconomia, com a apresentação dos principais objetivos, resultados esperados e marcos até 2028, na Sala Temática Axis 2, Zona Azul (liderado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil e pela FAO)

Contato com a mídia

Entre em contato com Amandine Ambregni, Diretora de Comunicação da NatureFinance, pelo e-mail communications@bioeconomychallenge.org.

Roberta Zandonai, Gerente de Comunicação e Engajamento, NatureFinance, em communications@bioeconomychallenge.org

Comunicado especial do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil, em imprensa@mma.gov.br 







Sobre o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil (MMA)

Fundado em 1992 durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Brasil (MMA) é a autoridade federal responsável pelas políticas nacionais de meio ambiente e clima. Com sede em Brasília, promove o desenvolvimento sustentável, alinhando proteção ambiental, crescimento econômico e inclusão social.

As principais áreas de atuação do Ministério incluem a Política Nacional de Meio Ambiente, a Política Nacional de Mudanças Climáticas, a Política Nacional de Pagamentos por Serviços Ambientais e a Política Nacional de Qualidade do Ar. Ele também gerencia a biodiversidade e a conservação florestal, a recuperação da vegetação nativa, a gestão de resíduos sólidos e a educação ambiental, ao mesmo tempo em que coordena ações intersetoriais nas áreas de energia, agricultura, cidades e pesca. 

Por meio da Secretaria Nacional de Bioeconomia, o MMA elabora e implementa o Plano Nacional de Bioeconomia do Brasil, promovendo o uso sustentável da biodiversidade, dos serviços ecossistêmicos e dos recursos genéticos. Promove a repartição justa dos benefícios, apoia produtos sociobiodiversos e incentiva modelos de negócios sustentáveis por meio de parcerias com instituições públicas, privadas e financeiras.

O Ministério supervisiona o IBAMA, o ICMBio, o Serviço Florestal Brasileiro e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, formando a espinha dorsal do sistema de governança ambiental do Brasil. https://www.gov.br/mma/pt-br

Sobre NatureFinance

A NatureFinance é um think tank sem fins lucrativos e um laboratório de soluções que projeta e dimensiona ferramentas financeiras, estruturas políticas e estratégias econômicas para alinhar as finanças globais com uma economia que funcione para a natureza, o clima e as pessoas.   

Ao conectar a inovação financeira aos resultados da economia real, a NatureFinance ajuda a construir um sistema financeiro global que valoriza a natureza como base da resiliência, prosperidade e equidade. www.naturefinance.net 

Sobre a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) é uma agência especializada das Nações Unidas que lidera os esforços internacionais para combater a fome. Nosso objetivo é alcançar a segurança alimentar para todos e garantir que as pessoas tenham acesso regular a alimentos de alta qualidade em quantidade suficiente para levar uma vida ativa e saudável. Com 195 membros – 194 países e a União Europeia –, a FAO atua em mais de 130 países em todo o mundo. Junte-se a nós na criação de um mundo sem fome e sem pobreza. https://www.fao.org/home/en

Sobre a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD)

A UNCTAD é o principal órgão da ONU responsável pelo comércio e desenvolvimento. Fundada em 1964, apoia 195 Estados-membros com análises especializadas e assistência técnica, além de servir como plataforma para o diálogo intergovernamental. A UNCTAD ajuda os países em desenvolvimento a fazer com que o comércio, as finanças, os investimentos e a economia digital contribuam para um desenvolvimento inclusivo e sustentável. https://unctad.org/

Sobre o World Resources Institute Brasil (WRI Brasil)

O WRI Brasil trabalha para melhorar a vida das pessoas, proteger e restaurar a natureza e estabilizar o clima. Como organização de pesquisa independente, usamos dados, conhecimento e alcance global para influenciar políticas públicas e promover mudanças sistêmicas em áreas como alimentação, uso da terra e da água, energia e cidades.

O WRI Brasil faz parte do World Resources Institute (WRI). Fundado em 1982, o WRI conta com mais de 2.000 funcionários trabalhando em mais de uma dúzia de países importantes e com parceiros em mais de 50 nações. https://www.wribrasil.org.br/sobre

Sobre o Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (Grupo BID)O Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (Grupo BID) é a principal fonte de financiamento e conhecimento para melhorar a vida na América Latina e no Caribe. É composto pelo BID, que trabalha com o setor público da região e capacita o setor privado; pelo BID Invest, que apoia diretamente empresas e projetos privados; e pelo BID Lab, que estimula a inovação empreendedora. Durante a COP30, o Grupo BID realizará mais de 80 eventos com líderes e especialistas internacionais que apresentarão soluções para eliminar as lacunas no financiamento do clima, da natureza e do desenvolvimento por meio de parcerias, inovação e foco no impacto mensurável na América Latina e no Caribe. Jornalistas que cobrem a COP30 pessoalmente são bem-vindos, sem necessidade de inscrição. Locais: Pavilhão do Grupo BID na Zona Azul, Casa do BID na Zona Verde, Estação AMAZÔNIA SEMPRE no Museu Goeldi. https://www.iadb.org/en

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