A tarifa de alimentação da rede para energia solar da Alemanha transformou um subsídio em um mercado autossustentável. Este resumo analisa se os subsídios aos prêmios de seguro poderiam ter o mesmo efeito na adaptação climática.
O seguro é uma ferramenta comprovada de adaptação, mas continua sendo muito subutilizado em países de baixa e média renda, onde as restrições de acessibilidade financeira e os riscos crescentes relacionados ao clima e à natureza estão ampliando a lacuna de proteção.
Este documento de trabalho defende que os subsídios aos prêmios podem ampliar a adesão aos seguros, especialmente se recompensarem a redução de riscos, e não apenas a redução de custos. Uma abordagem vinculada à resiliência vincula os níveis de subsídio a resultados mensuráveis de adaptação, ajudando governos, seguradoras e resseguradoras, doadores, empresas e atores da cadeia de suprimentos a compartilhar o custo da proteção, ao mesmo tempo em que fortalece a resiliência soberana. A mesma lógica se estende ao financiamento soberano do risco de desastres, onde poderia ser aplicada em escala nacional.
Por que isso é importante
Quando os riscos climáticos aumentam, as seguradoras se retiram e os governos absorvem as perdas. Os encargos fiscais se acumulam, os custos dos empréstimos aumentam e a margem para investir em adaptação diminui — um ciclo que pode culminar em uma crise da dívida soberana.
O Brasil e Uganda já demonstram esse padrão: a adesão aos seguros aumenta e diminui quase em sincronia com os orçamentos destinados aos subsídios. Mesmo no pico do financiamento, a cobertura fica bem aquém da necessidade total, o que comprova que o fator limitante é o montante do subsídio, e não a demanda pelo produto.
Quando bem concebidos, os subsídios podem desencadear um efeito de alavanca: maior cobertura, grupos de risco mais amplos, prêmios mais baixos e, por fim, um mercado que não precise mais do subsídio.
Olhando para o futuro
As conclusões servirão de base para o diálogo contínuo com governos, seguradoras e resseguradoras, empresas e agências de classificação de risco sobre como elaborar e ampliar programas de subsídios vinculados à resiliência.
Para enfrentarmos a crise da segurabilidade em um mundo cada vez mais volátil, os subsídios destinados a esse fim devem ser concebidos para fortalecer a resiliência, e não apenas para reduzir custos.
Escrito por Samuel Brown, Gustavo Martins e Arend Kulenkampff. Para comentários ou dúvidas, entre em contato com samuel.brown@naturefinance.net.